Pediram-me para formar uma equipa. Coloquei anúncios num site, recebi 1600 CVs - li-os todos! - seleccionei 30 pessoas para entrevistas pessoais, numa segunda fase, reduzi-as para 20. Marquei as entrevistas, primeiro tentei por telemóvel, depois desisti por estarem desligados, e recorri ao email. Destas, uma respondeu a dizer que não podia ir, uma apareceu sem confirmar, outra telefonou a combinar hora e foi.
Ainda esperei que aparecessem sem avisar, afinal eram recém-licenciados à espera de uma oportunidade para estagiarem, fazendo assim a sua primeira incursão no mercado de trabalho... Mas não!
Um amigo disse-me: "Estás parva?! Achas que com este tempo alguém quer começar a trabalhar? Essa malta vai é para a praia, curtir umas ondas, o sol e umas caipiroscas!"
Desconheço que seja essa a realidade, nem vou aprofundar mais o assunto. Quando terminei o curso em Junho de 1994, já tinha feito um estágio no Verão anterior na RTP e estava a fazer outro na TSF. Há quem me tenha criticado por perder férias dois anos seguidos. Mas foram estas duas fantásticas experiências que me mostraram a real necessidade do estágio antes do emprego: aprender a estar no mercado de trabalho!
Já agora: será que alguém que responde a um anúncio para um emprego numa editora limitando-se a enviar um email com o CV saberá que essa atitude o eliminará? Se não se sabe comunicar para conquistar um lugar em seu próprio benefício, estaremos perante alguém que vai saber comunicar factos a que assiste? Esta é uma questão colocada de forma demasiado radical, mas a verdade é que eliminei todos os CVs que me chegaram a seco. Para mim, essa atitude traçou o perfil do "não-te-rales" e, para isso, já tenho os meus bichinhos de estimação, que até são os companheiros da minha família!
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